Seja bem-vindo. Hoje é

quarta-feira, 15 de abril de 2009

PBL (Problem Based Learning)

O modelo pedagógico tradicional seguido pela maioria das faculdades de Medicina é baseado na organização do curso em disciplinas e dividido em ciclo básico e ciclo clínico.Neste modelo é dado ênfase na transmissão oral do conhecimento pelo professor para os alunos,através de aulas.
Entretanto um outro método de ensino tem sido aplicado em algumas escolas médicas pelo Brasil, o PBL(Problem Based Learning ).Este método ainda é desconhecido por uma parcela dos estudantes,por isso, hoje vou postar algumas considerações sobre ele.

Problem Based Learning - Dados Gerais

O que é:
O método PBL (Problem Based Learning - Aprendizado Baseado em Problemas) é uma estratégia pedagógico/didática centrada no aluno. Tem sido aplicada em algumas escolas médicas nos últimos 30 anos e trata-se de um método de eficiência comprovada por inúmeras pesquisas no campo da psicopedagogia e da avaliação de desempenho dos profissionais formados por esse método. Não se trata portanto, de método experimental.

Quem o adota:
As escolas médicas pioneiras na adoção do método são as escolas de McMaster, no Canadá e a de Maastricht, na Holanda. Na última década o método tem se difundido e outras escolas médicas o têm adotado. Nos Estados Unidos as escolas de Albuquerque, de Harvard, do Hawai, entre outras, o adotaram. O método tem sido recomendado pelas Sociedades de Escolas Médicas, e inúmeras escolas da África, da Ásia e da América Latina, sob supervisão de uma das duas pioneiras, o têm aplicado. Outras escolas da área da saúde, como enfermagem, fisioterapia, veterinária e odontologia têm adotado o método com sucesso e, mais recentemente, escolas das áreas de humanas, tais como a Faculdade de Economia da Universidade de Maastricht, e algumas escolas de engenharia dos Estados Unidos, por exemplo, demonstrando que o método não é uma particularidade do ensino da medicina, mas é aplicavel ao ensino de qualquer ramo do conhecimento.

Por que PBL?
O currículo médico tradicional, baseado na divisão de disciplinas e em ciclos básico, clínico e profissionalizante, que a maioria das escolas médicas adota, surgiu na década de 20, nos Estados Unidos, proposto pela comissão Flexner. Esta comissão fora encarregada de verificar quais escolas médicas atuantes naquele país no início do século poderiam continuar seus trabalhos. Como resultado a comissão propôs que um currículo médico deveria constar de alguns anos de aprendizado de ciências ditas básicas da medicina, tais como a anatomia, a fisiologia, a histologia, a anatomia patológica e a bioquímica, alguns anos de formação clínica e que as escolas deveriam dispor de um hospital para estágio dos alunos. Naquela época não havia o internato obrigatório, tal como o conhecemos hoje. Daquela época em diante modificações extremamente importantes ocorreram na medicina, com poucas alterações na estrutura do currículo. A modificação mais importante foi, sem dúvida, a incorporação do internato médico, primeiro de um ano, geralmente de 2 anos nas últimas duas décadas. As disciplinas pré internato ficaram comprimidas nos primeiros 4 anos do curso e continuaram aumentando seus conteúdos.
Devemos, ainda, levar em consideração o seguinte: parte do que era ensinado no curso médico, naquela época, é hoje ensinado no curso secundário; as ciências básicas aumentaram em número e em volume de conhecimentos (algumas ciências básicas daquela época eram rudimentares em relação às atuais, tais como a genética, a imunologia, a bacteriologia, a bioquímica, para citar algumas), as disciplinas clínicas se multiplicaram por inúmeras especialidades e o conhecimento aumentou em progressão geométrica e hoje assume características explosivas.
O número de publicações e os meios de divulgação de conhecimentos acompanhou este crescimento. O resultado foi uma compressão absurda de informações nos quatro primeiros anos de curso, com sobrecarga do cognitivo e pulverização do conhecimento. Dois dos principais problemas deste método hoje clássico são a falta de integração entre as disciplinas, principalmente entre as do ciclo básico e as do ciclo clínico e a excessiva autonomia do docente frente a sua disciplina. As formas de controle desta autonomia, através das ementas e programas aprovados pelos órgãos colegiados, raramente conseguem impedir que os docentes incorporem, a cada ano, mais conteúdo, de forma indisciplinada e relativamente anárquica. As avaliações, acompanhando estes problemas, são muito freqüentes, geralmente restritas à esfera cognitiva, coordenadas apenas pelo docente que as faz segundo seu critério de importância, muitas vezes exigindo esforço descabido por parte do aluno e resultando na prática de estratégias pedagógicas "terroristas".
Desde a década de 50 currículos alternativos têm sido propostos para controlar estes males, geralmente com pouco sucesso e vida mais ou menos efêmera. Há, hoje, um consenso entre os educadores que o aprendizado deveria ser mais centrado no aluno, que deveria dispor de mais carga horária para atividades de pesquisa e de estudo.
A partir da década de 70 uma melhoria do conhecimanto da psicologia do aprendizado do adulto tem surgido, mostrando a importância de sua participação ativa na incorporação do conhecimento, a importância de sua experiência prévia e do uso desta experiência como elemento motivador para o aprendizado. Parte destes conhecimentos foram desenvolvidos a partir dos estudos de Paulo Freire, parte das teorias de Jean Piaget e sua epistemologia genética e ainda outra parte nos estudos de psicopedagogos que tem trabalhado junto às escolas médicas citadas. A fisiologia da memória e seu desenvolvimanto recente favoreceu também a compreensão da importância da experiência prévia na aquisição de novos conhecimentos.
O PBL se desenvolveu dentro deste contexto e tem acompanhado suas mudanças. O elemento central no aprendizado é o aluno. Ele é exposto a situações motivadoras nos grupos tutoriais, onde, através dos problemas, é levado a definir objetivos de aprendizado cognitivo sobre os temas do currículo. Estágios e atividades laboratoriais completam sua formação antes do internato médico, que é semelhante aos das escolas que adotam o método tradicional.
Um dos fundamentos principais do método é que devemos ensinar o aluno a aprender, permitindo que ele busque o conhecimento nos inúmeros meios de difusão do conhecimento hoje disponíveis e que aprenda a utilizar e a pesquisar estes meios. A diversidade, ao contrário da unicidade do conhecimento do professor, é o objetivo. Esta postura faz sentido no mundo atual, pois, raramente, os assuntos aprendidos nos primeiros anos permanecerão intocados quando o aluno estiver se formando. Só a postura de estudo e aprimoramento permanente torna possível a sobrevivência profissional em um mundo de economia e conhecimentos globalizados. A agilidade é outro elemento que o aluno precisa aprender ainda na escola médica, assim como a criatividade de explorar novos métodos de organização profissional.
A avaliação dos alunos formados em escolas que adotam o método tem podido demosntrar que eles são mais independentes, retém por mais tempo os conhecimentos adquiridos e desenvolvem uma postura inquisitiva e de estudo permanente.

O que o método requer:
O método PBL não é, entretanto, uma panacéia. Ele requer organização e dedicação do corpo docente, aperfeiçoamento constante, supervisão criativa. Sua implantação em escolas que utilizam o método tradicional tem sido muitas vezes dificultada por incompreensões e apreensões injustificadas. Muitos docentes se sentem ameaçados ao não visualizarem o perfil clássico de suas disciplinas no desenho curricular, ao ouvirem falar que tutores não precisam ser especialistas e que basta um número relativamente pequeno de docentes treinados para aplicar o "PBL". Lembramos que muitas funções do currículo tradicional permanecem no PBL, tais como o internato, estágios intra e extrahospitalares, atividades práticas e que todos os docentes de todas as especialidades são necessários para o bom desenvolvimento desta modalidade de currículo.

Algumas vantagens do método:
Para os docentes, este método traz algumas vantagens. Embora exija dedicação e esforço para sua montagem e supervisão, na somatória, acaba liberando tempo para as atividades de investigação e laboratório, tantas vezes tornadas impossíveis pela rotina das atividades disciplinares. Para os alunos, até onde se pode constatar, traz a vantagem de um curso que eles apreciam com evidente satisfação psicológica de serem participantes ativos de seu processo de aprendizagem.

Fonte: Universidade Estadual de Londrina - PR


Share/Save/Bookmark

2 Pareceres:

cau disse...

ja vou avisar minha tia no US, "NAO FAZ ESSA DIETA LOCA DE TORANJA!"
uashuashusahuashaus

;*

Anônimo disse...

A USP usou o PBL com o nome de "Medicina Experimental" em 1963.
Fui professor no modelo flexineriano desde 1971 e, atualmente, faço parte de uma escola que usa PBL.
Como discuti, espero que não seja formação de médicos práticos, já que a nossa realidade não é a mesma do Canadá e nem da Europa.
Como dizia o Prof. Fialho, o melhor método de aprendizado é uma pessoa experiente que possa orientar, inclusive separando o joio da comunicação do trigo dos consensos, de um lado e alguém querendo aprender de outro, com os meios ofertados pela instuição de ensino no meio"
Como se explica que um "milagre do ensino", de 1965 para cá tenha apenas em torno de 10% da adeptos? Qual a razação econômica ou política do MEC e do Ministério da Saúde de previlegiar este excelente tipo de ensino, desde que haja coerência e fluxo somatório do conteúdo?

Maurício Leite.
Professor Aposentado.

Postar um comentário

©2008-2011 Mediskina: Aqui a gente brinca mas ensina Medicina | by Carolina Rosa

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO